domingo, 25 de setembro de 2011

HISTORICOS DA RAÇA CAMPOLINA O GRANDE MARCHADOR

MARCOS HISTÓRICOS DA RAÇA CAMPOLINA



1836 – Nascimento de Cassiano Campolina em 10 de julho, na Fazenda da Serra dos Caixetas em São Brás de Suaçui, ex-distrito de Entre Rios de Minas. Cassiano Campolina era filho do Major José Caetano da Silva Campolina e de D. Francisca de Paula Ferreira. De acordo com relatos do livro “Memorial Hospital Cassiano Campolina”, ele era homem excêntrico. Sempre viveu na Fazenda do Tanque, de seus pais. Durante período de 8 anos não transpôs os limites da propriedade, e gabava-se disto. Franco e acessível, era cordial, mas às vezes de franqueza um tanto rude, e também muito cioso de suas amizades. Não se casou. Teve apenas dois amigos verdadeiros. Teve apenas dois amigos verdadeiros em Entre Rios de Minas, o Cel. Joaquim Pacheco de Rezende e João Ribeiro de Oliveira.

1857 – Cassiano Campolina inicia uma criação de eqüinos na Fazenda Tanque, Entre Rios de Minas-MG. O rebanho era constituído por éguas sem características raciais definidas, chamadas de “nacionais”, descendentes dos cavalos Berberes do Norte da África, originalmente introduzidos no Brasil pelos colonizadores portugueses. O cavalo Bérbere, ou Barbo, é tão antigo quanto o da raça Árabe. Também foi utilizado na formação de um grande numero de raças em todo o mundo, inclusive a Andaluz, durante a invasão da Espanha pelos mouros. É um cavalo de resistência inigualável, ágil e veloz no serviço. Mas não é de conformação bela, devido à garupa curta, derreada e a cabeça muito longa.

1860 – Francisco Teodoro de Andrade, oriundo de Itutinga-MG, comprou de um portugues a Fazenda Campo Grande ( berço da linhagem Passa Tempo ). A criação original de eqüinos era descendente da Fazenda Campo Alegre, propriedade do Barão de Alfenas, onde foi formada a raça Mangalarga Marchador.

1861 – Nascimento de Gabriel Augusto de Andrade, filho de Francisco Teodoro de Andrade. Gabriel Augusto de Andrade tornou-se amigo particular de Cassiano Campolina, com quem mantinha estreitos laços de amizade e troca de correspondências.

1870 – Marco zero da formação da raça Campolina. Cassiano Campolina recebeu de presente, da criação do amigo Antonio Cruz, de Juiz de Fora-MG, uma égua de nome Medeia, de pelagem preta. Medeia estava prenhe de garanhão da raça Andaluz e pariu, no mesmo ano, um lindo potro tordilho negro, que recebeu o nome de Monarca, considerado o garanhão fundador da raça Campolina.

1898 – Morte de Monarca aos 28 anos de idade. Cassiano Campolina fez algumas experiências mal sucedidas de cruzamentos com garanhão de tração pesada, da raça Percherão. Optou em resgatar o sangue de Monarca, através de seus filhos, sendo os de maior renome na época: Monarca II, Monarca III, Predileto, Baiardo, Pope, Leviano, Nobre. O motivo do uso de garanhão Percherão foi tentar produzir animais maiores e mais fortes para serviços de tração agrícola e atrelagem. Mas o andamento marchado foi perdido.

1889 – Falecimento de Francisco Teodoro de Andrade

1904 – Falecimento de Cassiano Campolina em 26 de Julho, aos 68 anos de idade, vítima de Arteriosclerose Cardiorenal. O amigo particular, Joaquim Pacheco de Rezende, herdou a Fazenda Tanque, com o compromisso de destinar uma quantia em dinheiro à construção do Hospital Cassiano Campolina em Entre Rios de Minas-MG. A primeira iniciativa de Joaquim Pacheco foi comprar do amigo Cel. Gabriel Augusto de Andrade o reprodutor de nome Golias, portador de ¼ de sangue Clydesdale ( raça de tração, de grande porte ), pelagem baia, exímio marchador. A raça Clydesdale é de origem inglesa, de grande porte, especializada para serviços de tração pesada e sendo, atualmente, uma das mais requisitadas no mundo para atrelagem. O Clydesdale apresenta temperamento mais ativo em relação às outras duas raças de tração mundialmente populares, Bretão e Percherão. Seu trote é mais elegante, vigoroso, alçado e flexionado. Outra vantagem é que o cavalo Clydesdale apresenta pelagens mais belas, predominando a castanha, com membros comumente alto calçados e frente aberta.

1910 – Construção do Hospital Cassiano Campolina

1911 – Falecimento de Joaquim Pacheco Rezende. O filho, Joaquim Rezende, conhecido como “Sr. Quinzinho”, herdou a Fazenda Tanque e todo o criatório de cavalos marca C.C. ( Cassiano Campolina).

De 1900 a 1910 – Foi utilizado na Fazenda Primavera, Passa Tempo o garanhão Treffler, da raça Holstein, importado por Américo de Oliveira e José Ferreira Leite. Américo de Oliveira era pai de Ilza Oliveira, que veio a se casar com Bolívar de Andrade, filho de Gabriel Augusto de Andrade, que importou dos Estados Unidos, nesta mesma década, o reprodutor Yankee Prince, citado na história da raça Campolina como sendo da raça American Saddle Horse. Na verdade, era um cavalo Anglo-Arabe. A raça Holstein é originária da Alemanha, sendo representada por cavalos maiores que o Hanoveriano. Apresenta aptidões natas para o salto e tração leve.

De 1910 a 1920 – Alguns filhos de Monarca e Golias foram usados na Fazenda Tanque. Tupy foi citado na história da raça como um deles. Na verdade, era de sangue Orloff, raça originária da antiga Republica Soviética. Foi o cavalo russo das corridas de charrete, tendo sido considerado o melhor trotador do mundo, até o desenvolvimento do cavalo American Standardbred ( Trotador Americano ), o campeão de velocidade em corridas de trote.

De 1920 a 1930 – Filhos e netos de Monarca foram usados na Fazenda Tanque. Colorado, filho de Yankee Prince foi utilizado na Fazenda Campo Grande

1930 – Joaquim Rezende comprou Otelo, garanhão de pelagem alazã, filho de Golias. Otelo é avô materno de Gas Tejo.

1938 – Foi constituído o Consórcio Profissional Cooperativo dos Criadores do Cavalo Campolina, com sede em Barbacena. Os fundadores foram Paulo Rocha Lagoa, Claudino Ferreira da Fonseca, Edgard Bittencourt.

1939 – Joaquim Rezende resolveu cruzar a sua melhor égua, de nome Predileta, com o principal reprodutor da Fazenda Campo Grande, o Rio Verde, de origem na raça Mangalarga Marchador. O principal objetivo foi o de melhorar o andamento. Deste cruzamento nasceu o famoso Campolina Rex, pai do Gás Rex, avô do Gás Dengoso.

De 1930 a 1940 – Rio Verde, da raça Mangalarga Marchador, foi usado tanto na Fazenda Campo Grande, como na Fazenda Tanque. Outro reprodutor notório da raça Mangalarga Marchador, o Seta Caxias, pai do Herdade Cadilac, também foi utilizado na linhagem “Gas”, tendo gerado o famoso Gas Tejo, que juntamente com o Campolina Rex formou as duas principais famílias do criatório “Gas”

1940 a 1950 – Rio Verde e seus filhos, com destaque para Florete e Herval, continuaram a ser usados na Fazenda Campo Grande. Esta também foi uma década importante pelas contribuições de Campolina Rex, Delta II, pai do Miraí Rififi, que viria a gerar o notório Expoente de Passa Tempo e pai da famosa égua Miraí Granfina.

1940 – A Fazenda do Tanque foi vendida e a criação de cavalos Campolina ( era este o prefixo) transferida para a vizinha Fazenda Palestina.

1949 – Falecimento do Cel. Gabriel Augusto de Andrade. Bolívar de Andrade herdou a Fazenda Campo Grande e todas as criações de equideos – Mangalarga Marchador, Campolina, Piquira e jumentos Pêga.

1951 – Foi fundada a Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Campolina, com sede em Belo Horizonte, tendo como primeiro Presidente Bolívar de Andrade, titular da linhagem berço sufixo “Passa Tempo”.

1954 – Falecimento de Joaquim Rezende. O filho, Gastão Ribeiro de Oliveira Rezende, todo o criatório Campolina e mudou o prefixo “Campolina” para “Gás”.

1957 – Morreu o notável reprodutor Rio Verde, aos 31 anos de idade, após terminar de cobrir uma égua. Cinco éguas pariram após a sua morte.

1950 A 1960 – Década na qual destacaram-se os sementais Tentador ( pai do Xerife de Passa Tempo ), Miraí Rififi, Ressaca de Passa Tempo e Gas Tejo.

1960 A 1970 – Década das mais ricas em reprodutores e matrizes notórias, com destaques para Xerife de Passa Tempo, Expoente de Passa Tempo, Xepeiro de Passa Tempo, Causa de Passa Tempo, Gas Rex II, Gas Prelúdio I, Gas Jandaia

1974 – Falecimento de Gastão Ribeiro de Oliveira Rezende, titular da linhagem Gas.
1970 A 1980 - O melhoramento zootécnico da raça deu um grande salto nesta década. Foi uma época farta de cavalos bons em tipo, marcha e como reprodutores, predominantemente descendentes das duas linhares pilares. O destaque é para Gas Dengoso, que viria a ser o reprodutor de maior influência contemporânea na composição genética da raça.
- Do "Passa Tempo": Jupter, Ousado, Lagedo, Contrabando, Garboso, Lamento, Graduado
- Do "Gás" : Gas Dengoso, Gas Sucesso, Gas Marujo, Gas Bicão, Gás Radar
- Cassino da Palmeira, Frevo de Santarém, Gringo de Santarém, Pery-Pery Jaguari

1978 – Falecimento de Bolivar de Andrade, após acidente de carro. Seu nome foi dado ao Parque de Exposição Agropecuária de Belo Horizonte.

1980 A 1990 - Através do inter-cruzamento das linhagens Gas e Passa Tempo, alguns criatórios começaram a despontar, produzindo animais superiores aos representantes das linhagens pilares - "Santa Rita", "Sans Souci", "Horizonte", "Arábias", "Maravilha". Foi a década do "Angelim"
- Do "Angelim" : Ogum, Laurel, Jogo, Garol, Irol, Licor, Narciso, JK
- Desacato da Maravilha, Gavião de Sans Souci, Frevo de Sans Souci,
- Do "Passa Tempo": Recruta, Quartel, Orgulho, Zino, Artilheiro,
- Do "Gás": Momento, Baluarte, Momo, Ouro, Garbo

1997 – Falecimento de Márcio de Andrade, ex-Presidente da ABCCCampolina, titular da linhagem “Passa Tempo” e nome dos mais importantes no processo da evolução funcional do cavalo Campolina.

1990 A 2000 - Nesta ultima década do século XX surgiram inúmeros representantes de criatórios novos, despontando nas pistas sobre representantes das linhagens pilares e dos criatórios antigos, comprovando que a raça está realmente evoluindo. As Linhagens pilares e os criatórios antigos mantiveram-se fechados. Esta foi a década na qual dois raçadores passaram a influenciar marcadamente a composição genética da raça: Desacato da Maravilha e O .P. de Santa Rita. Outros reprodutores de destaque foram:Completo do Angelim, Nero de Sans Souci, Iluminado de Alfenas, Albatroz do Oratório, Regente de Sans Souci, Guardião das Aroeiras, Gas Cobre, Atento do Angelim, Gas Chacal, Cardeal da Palmeira, Rex de Sans Souci, Gas Prelúdio III , Angelim do Campo, Rei do Solar, Santa Maria Homero, Relevo da Serra Azul, RRD de Santa Rita, MB de Santa Rita, Furacão do Tiguara, Bromo do Angelim, RRD de Santa Rita , Principe do Ouro Fino, RRP de Santa Rita

2000 a 2007 – Nesta segunda metade da década do século XXI alguns dos criatórios que vêm se destacando entre os melhores da raça são: Chiribiribinha (Melhor criador em 2007), Hibipeba, Oratório, Top, Mandala, Pinval, J.H.R. e Camparal.

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